Histórico do Amarelo Indiano

 

 

Artista desconhecido, da série Rasamanjari de Bhanudatta, 1660-1670, 23.4 x 33 cm, Harvard Museuns

 

Amarelo Indiano é o nome histórico que a Joules & Joules escolheu para o pigmento PY83, substituto do misterioso e extinto Amarelo Indiano genuíno que foi utilizado durante séculos nas iluminuras Mughal. Segundo pesquisas, depoimentos e lendas, esse amarelo era feito com urina de vacas indianas alimentadas com folhas de manga. Já o PY83, também conhecido como Amarelo Diarylide ou Amarelo Disazo, possui esse nome por fazer parte da subdivisão Disazo, pertencente a vasta e complexa família de pigmentos orgânicos sintéticos chamada Pigmentos Azo. 

 

Os Pigmentos Azo são subdivididos em Monoazo (Arylide) e Disazo (Diarylide), mas ainda abriga os Pigmentos Benzimidazolone, B-Naphtol, Naphtol AS, entre outros. Os Pigmentos Disazo, assim como os Monoazo, oferecem cores que vão do amarelo esverdeado ao amarelo avermelhado e ainda alcançam o laranja e o vermelho, com a diferença que os Amarelos Diarylide possuem maior poder de coloração em relação aos Amarelos Monoazo.

 

Estrutura Molecular do PY83

 

Os Amarelos Diarylide foram patenteados pela primeira vez em 1911 pela empresa Griesheim-Elektron. No entanto, os primeiros PY13 e PY12, só foram introduzidos no comércio da Alemanha e EUA em 1938, já que os Amarelos Monoazo, que tinham acabado de entrar no mercado com o nome de Hansa Yellow, eram mais resistentes a luz do que os Amarelos Diarylide.

Foi apenas depois da Segunda Guerra Mundial, no início dos anos cinquenta, que a indústria europeia realizou uma mudança significativa do uso de alguns pigmentos Amarelos Monoazo em prol dos pigmentos Amarelos Diarilyde PY83, PY 81 e PY 113, pois estes alcançaram melhores propriedades de migração e resistência a luz. Como resultado, os pigmentos Amarelos Diarylide são hoje a maior fração de pigmentos amarelos orgânicos sintéticos no mercado, sendo o PY83 seu maior e melhor representante. Os Diarylides são muito utilizados para tintas de impressão, plásticos, borrachas e impressões têxteis.

 

Já o Amarelo Indiano genuíno é possivelmente o pigmento mais misterioso que já chegou na paleta dos artistas. A origem e a composição do pigmento há muito são debatidas, mas nenhum consenso foi alcançado sobre a origem desse pigmento de um amarelo extraordinário. Muito se diz que ele deriva da urina de vacas alimentadas exclusivamente com folhas de manga e água, mas há versões de que ele teria sua origem em uma fonte vegetal. Com seu processo de fabricação perdido na história, sua origem ainda permanece um mistério, apesar das primeiras investigações científicas sobre a composição química do pigmento apoiar a teoria de que o Amarelo Indiano seria um sedimento urinário. 

Fig. Amostra de Amarelo Indiano


 

Mas não é só mistério e dissenso que cercam essa cor. Há um consenso geral de que o pigmento foi produzido na Índia e levado, junto com outros itens do Extremo Oriente,  para a Europa por meio de comerciantes de Calcutá, cidade fundada como entreposto comercial da Companhia Britânica das Índias Orientais e capital do país no período da Índia Britânica, de 1773 a 1911. Há também evidências de que o pigmento chegou à Inglaterra na década de 1780 e na Holanda ainda no início do século 17, por meio do comércio com as Índias Orientais. Em 1840, o  Amarelo Indiano integrava, pela primeira vez ,o catálogo da Winsor & Newton, que foi fundada em 1832. 

 

Como e quando a produção e o uso do amarelo indiano começaram na Índia ainda é desconhecido, mas segundo o historiador da arte Moti Chandra, o pigmento teria surgido na Pérsia e introduzido na Índia no século 15, onde foi usado em iluminuras do período Pahari, entre os séculos 17 e 19, porém é mais comumente encontrado durante o período de Mughal, entre o final do século 16 até o século 19. A cor, admirada pela sua transparência, sua textura leve, tonalidade ouro, profunda e luminescente, foi muito utilizada especialmente para pintar pôr do sol, estradas, navios, areia, cor de pele escura e há muitas referências de seu uso em  aquarelas e pintura a óleo em literatura do século 19. 

 

Em 1883, T.N. Mukharji,  funcionário do Governo da Índia e curador do Museu Indiano de Calcutá, viajou para uma área rural ao norte de Calcutá, ao longo do rio Ganges onde documentou o encontro com uma pequena seita de gwalas (leiteiros) que produzia o misterioso pigmento amarelo indiano. Seu relatório, publicado no Journal of the Society of Arts em 1883, é o único relato da produção documentada do Amarelo Indiano e contribuiu para avançar com o fim do mistério sobre a origem do pigmento.

 

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